Dr. Roberto Parentoni, advogado criminalista em São Paulo e Brasília, especialista em defesa penal estratégica e Tribunal do Júri.Crusoé ouve Roberto Parentoni sobre crise entre STF e PF

O advogado criminalista Roberto Parentoni foi ouvido pela revista Crusoé em reportagem publicada em 11 de setembro de 2026, na edição 437. A matéria analisa a sucessão de decisões tomadas no Supremo Tribunal Federal envolvendo o comando da Polícia Federal e os limites jurídicos da atuação judicial diante de uma controvérsia institucional.

Intitulada “A PF no fogo cruzado do Supremo”, a reportagem do jornalista Wal Lima examina os desdobramentos da decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Segundo a publicação, o episódio abriu uma discussão que ultrapassa a permanência dos dois dirigentes nos cargos. O debate envolve a autonomia da Polícia Federal, o controle judicial de sua atuação, a imparcialidade das investigações e os limites do poder de ministros do Supremo Tribunal Federal em situações que também os alcançam diretamente.

Decisões sucessivas no Supremo Tribunal Federal

A reportagem apresenta a sequência de decisões proferidas no STF após o afastamento do comando da Polícia Federal.

Depois da determinação de André Mendonça, o ministro Flávio Dino decidiu restituir Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos respectivos cargos. Posteriormente, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu os efeitos das decisões anteriores e convocou uma sessão plenária extraordinária para que a controvérsia fosse examinada pelo colegiado.

A Crusoé também aborda manifestações internas da Polícia Federal, a posição da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal e o debate sobre uma possível ampliação da autonomia funcional, administrativa e orçamentária da instituição.

A matéria menciona ainda o ministro Alexandre de Moraes ao tratar de relatórios de inteligência que teriam sido utilizados em pedido de investigação relacionado ao ministro André Mendonça. Todos esses acontecimentos, conforme exposto pela publicação, contribuíram para acentuar a tensão institucional entre integrantes do Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.

A análise de Roberto Parentoni

Para examinar um dos pontos juridicamente mais sensíveis do episódio, a revista ouviu Roberto Parentoni, advogado criminalista com atuação desde 1991 em São Paulo e em todo o Brasil e especialista em Direito e Processo Penal pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ao comentar as circunstâncias da decisão, Parentoni afirmou:

“A questão central não é apenas saber se o ministro possui poder para determinar a medida, mas se, diante das circunstâncias, deveria ser ele próprio a fazê-lo.”

A observação distingue duas questões que não necessariamente conduzem à mesma resposta. Uma delas é a existência formal de competência para a adoção de determinada providência. Outra, igualmente relevante, é verificar se as circunstâncias concretas recomendam que a decisão seja tomada pela própria autoridade que se considera atingida pelos acontecimentos investigados.

O ponto levantado por Roberto Parentoni desloca o debate da simples existência de poder para a análise das condições em que esse poder é exercido. Em questões institucionais dessa dimensão, não basta examinar apenas quem pode decidir. Também é necessário considerar a imparcialidade, a legitimidade da decisão e a confiança pública no procedimento adotado.

Caso Master e Operação Lava Jato também estão na edição

A edição 437 da Crusoé traz como principal destaque de capa a expressão “Sensação de Lava Jato”, relacionada à decisão do ministro André Mendonça no Caso Master e aos seus reflexos políticos e institucionais.

No mesmo número, a reportagem sobre a Polícia Federal reúne discussões envolvendo ministros do STF, o comando da corporação, o uso de informações de inteligência e as acusações de instrumentalização política de estruturas do Estado.

Embora sejam assuntos distintos, os conteúdos da edição convergem em torno de uma preocupação comum: os limites da atuação das instituições, o controle do poder público e a necessidade de preservar a imparcialidade em investigações e decisões de grande repercussão.

A participação de Roberto Parentoni na reportagem insere a perspectiva da advocacia criminal em um debate que envolve garantias jurídicas, equilíbrio institucional e os limites do exercício do poder.

A reportagem completa “A PF no fogo cruzado do Supremo” está disponível no site da revista Crusoé.

Débora Parentoni

Débora Parentoni

Prof.ª Débora Cavalcante Parentoni é Diretora Administrativa do Parentoni Advogados, coordenadora do Projeto Pro Bono Antônio Aurélio Soares (AAS) e pedagoga formada pela Faculdade Maria Montessori. É fundadora do Instituto Brasileiro do Direito de Defesa (IBRADD), onde atuou como secretária-geral por duas gestões.