Dr. Bruno Parentoni, Dr. Roberto Parentoni e Dr. Luca Parentoni no escritório Parentoni Advogados, boutique jurídica especializada em Direito Criminal e Direito Penal Econômico desde 1991. Ao fundo, a biblioteca jurídica do escritório, destacando a tradição e excelência em defesa penal. Escritório localizado no Edifício Itália, São Paulo, e no Complexo Brasil 21, Brasília.

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Autoridade silenciosa na advocacia criminal: quando ser comum é um risco

Há algo curioso acontecendo na advocacia criminal.
Nunca se falou tanto. E nunca se disse tão pouco.

Os discursos se multiplicam. As palavras se repetem. Técnica, estratégia, excelência, seriedade. Tudo correto. Tudo verdadeiro. Tudo igual. Para quem vive o sistema por dentro, isso talvez não incomode. Para quem está em crise, soa como ruído.

O problema não é falta de competência.
É a ausência de diferença percebida.

No Direito Penal, isso não é um detalhe. É um risco.


O excesso de discurso e a escassez de presença

Ao longo dos anos, aprendi que autoridade não se constrói apenas com conhecimento. Constrói-se com postura. Com o modo de entrar em um caso. Com o cuidado de não falar antes de compreender. Com a coragem de dizer “ainda não” quando todos esperam uma resposta imediata.

O sistema penal não perdoa improviso.
E, ainda assim, muitos se sentem pressionados a parecer seguros antes de estarem certos.

A comunicação jurídica seguiu o mesmo caminho. Tornou-se ansiosa. Explicativa demais. Barulhenta demais. Em busca de atenção, perdeu algo essencial: presença.


Quando todos dizem o mesmo, ninguém é realmente ouvido

Não é raro ouvir que a advocacia criminal vive uma crise de imagem. Discordo. O que existe é uma crise de percepção.

Quando todos usam as mesmas expressões, adotam o mesmo tom e prometem o mesmo compromisso, a escolha deixa de ser racional. Torna-se emocional. E, em momentos de medo, o emocional busca abrigo, não performance.

O cliente não procura quem fala mais.
Procura quem parece capaz de sustentar o peso da decisão.


A diferença que não se anuncia

Existe uma diferença que não se grita.
Ela se percebe.

Está na forma como o advogado escuta.
No tempo que dedica antes de orientar.
Na recusa a transformar urgência em espetáculo.
Na clareza de que nem todo caso começa nos autos.
E de que muitas decisões erradas são tomadas antes do primeiro movimento formal.

Essa diferença não precisa ser vendida.
Ela se impõe pela postura.

No Direito Penal, ser notado não é mérito. Ser confiável é.


Experiência como filtro, não como vaidade

Ao completar, esse ano 2026,  35 anos de atuação na advocacia criminal, fica evidente que experiência não serve para impressionar. Serve para filtrar. Para reconhecer armadilhas antes que se apresentem como soluções. Para perceber quando a ansiedade inicial ameaça comprometer toda a defesa.

A maturidade ensina algo incômodo: muitas defesas fracassam não por falta de técnica, mas por excesso de pressa no início. Por decisões precipitadas. Por conselhos dados sem leitura fina de cenário.

Isso não se resolve com marketing.
Resolve-se com responsabilidade.


Nem todo caso deve ser aceito. Nem todo cliente deve ser convencido.

Uma advocacia que tenta falar com todos acaba não sendo ouvida por ninguém. Escolher também é um ato ético. Dizer não também protege o sistema. A autoridade verdadeira nasce dessa capacidade de recusar o óbvio.

A advocacia criminal que não precisa gritar é aquela que já sabe quem é. E, justamente por isso, permite aproximação sem banalizar sua posição.


Um convite aos colegas

Talvez não precisemos de mais discursos.
Talvez precisemos de mais silêncio bem colocado.
Mais escuta real.
Mais presença.

Num campo em que o erro custa liberdade, ser comum não é neutro. É perigoso.

A diferença que importa não é a que chama atenção.
É a que sustenta decisões difíceis quando o caso é sério.

Roberto Parentoni

Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni é advogado criminalista desde 1991 e fundador do escritório Parentoni Advogados. Pós-graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, é especialista em Direito Criminal e Processual Penal, com atuação destacada na justiça estadual, federal e nos Tribunais Superiores (STJ e STF). Ex-presidente do Instituto Brasileiro do Direito de Defesa (IBRADD) por duas gestões consecutivas, é também professor, autor de livros jurídicos e palestrante, participando de eventos e conferências em todo o Brasil.