Dr. Bruno Parentoni, Dr. Roberto Parentoni e Dr. Luca Parentoni no escritório Parentoni Advogados, boutique jurídica especializada em Direito Criminal e Direito Penal Econômico desde 1991. Ao fundo, a biblioteca jurídica do escritório, destacando a tradição e excelência em defesa penal. Escritório localizado no Edifício Itália, São Paulo, e no Complexo Brasil 21, Brasília.

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O movimento silencioso que mudou o rumo de um Júri

Nem toda defesa acontece diante dos jurados.
Em alguns casos, o ponto de virada surge no instante que ninguém percebe.


Quando o risco aparece antes do julgamento

Na advocacia criminal, muitos acreditam que o instante decisivo é aquele em que o advogado se coloca de pé, diante do Conselho de Sentença, para expor sua tese e disputar a narrativa com o Ministério Público.
Mas a prática mostra que o destino de um julgamento, por vezes, não nasce no microfone — nasce na observação silenciosa, quando o rito ainda não imagina que está sendo escrito.

Em um processo desmembrado, o corréu seria julgado primeiro, enquanto o julgamento do meu cliente aconteceria meses depois.
Decidi acompanhar o primeiro Júri não como público, mas como quem mede o terreno, o clima, o discurso e as fissuras invisíveis.

Durante o depoimento de uma testemunha de acusação, algo inesperado ocorreu: o nome do meu cliente foi citado espontaneamente, sem pergunta, sem contexto e sem pertinência com aquele julgamento.
Naquele instante, tornou-se evidente o risco de contaminação cognitiva: o julgamento futuro poderia nascer com uma impressão que não lhe pertencia.

Estudos em psicologia do testemunho indicam que declarações espontâneas, mesmo desconexas, podem influenciar percepções posteriores em ambientes tensos e de alta carga emocional.

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O instante da decisão

A questão que se colocou diante de mim não era apenas técnica — era humana:

aguardar o rito
ou
proteger a integridade de quem ainda seria julgado.

Levantei-me da plateia e pedi a palavra.
Interrompi o depoimento por um aparte.

A reação foi imediata: a Juíza Presidente do Tribunal do Júri ficou visivelmente surpresa, tentando compreender por que um advogado não atuante naquele julgamento específico estava intervindo.
O silêncio durou longos segundos — o tipo de silêncio que não espera resposta, mas reorganiza o ambiente.

Somente após esse intervalo, a magistrada afirmou que minha manifestação não era permitida naquele momento.
Ok. Mas o aparte já havia sido dito — e quem precisava ouvir, ouviu.

Não havia previsão legal clara para aquilo.
Mas havia responsabilidade ética, técnica e humana com o que ainda estava por vir.


Quando o julgamento finalmente chegou

Meses depois, no julgamento do meu cliente, aquela narrativa espontânea não resistiu ao contraditório.
A fragilidade estava exposta antes mesmo de o caso começar.
O resultado natural foi a absolvição.

E, naquele momento, ficou claro: o ato que mudou o destino não foi o discurso do plenário, mas o gesto feito fora do script.

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O que esse caso ensina sobre o Tribunal do Júri

1 — Nem toda defesa começa quando chamam pela defesa
Há situações em que ela começa quando ninguém percebe que já começou.

2 — Técnica é essencial, mas timing pode ser decisivo
Às vezes, a fala certa na hora errada perde seu valor — e o contrário também.

3 — O advogado criminalista nunca é espectador
Mesmo sentado, a defesa continua pensando, sentindo, lendo o ambiente e protegendo.


Conclusão

No Tribunal do Júri, existem movimentos que o processo não descreve, mas o resultado revela.
Defender não é apenas falar — é perceber antes, proteger antes e agir quando poucos enxergam o risco, inclusive quando ninguém imagina que a defesa já começou.

O silêncio pode ser técnica.
A atenção pode ser escudo.
O detalhe pode ser destino.

Algumas situações exigem voz; outras, exigem silêncio — mas todas exigem cuidado e leitura precisa.
Se você sente que algo pode estar “fora do lugar”, podemos conversar com sigilo, calma e seriedadeEm situações sensíveis ou que exigem leitura preventiva, nossa Consultoria Estratégica Criminal pode ajudar.

Roberto Parentoni

Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni é advogado criminalista desde 1991 e fundador do escritório Parentoni Advogados. Pós-graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, é especialista em Direito Criminal e Processual Penal, com atuação destacada na justiça estadual, federal e nos Tribunais Superiores (STJ e STF). Ex-presidente do Instituto Brasileiro do Direito de Defesa (IBRADD) por duas gestões consecutivas, é também professor, autor de livros jurídicos e palestrante, participando de eventos e conferências em todo o Brasil.